SATED/RS - Na luta pelos trabalhadores da arte

  • Home
  • DRT
  • Contato
  • Imprensa
  • Mapa do Site

FOTOS E VÍDEOS

  • Rede Brasileira de Teatro de Rua/RS amordaçados simbolicamente em ato público pelo cumprimento da Constituição Brasileira.

EDITORIAIS

  • Plano Médico
    Plano Médico Ambulatorial da Porto Alegre Clínicas. Mais...
  • Comunicado - SATED/RS
    Nos dias 9, 10, 16 e 17 de agosto estaremos fechados para atendimento externo. Mais...

NOTÍCIAS E INFOS

  • Oficinas do Porto Alegre em Cena
    Já estão abertas as inscrições! Mais...
  • Teatro Nilton Filho
    Comemora 20 anos e lança programação Mais...
  • Oficina teatral
    Para crianças e pré-adolescentes no Teatro Novo DC Mais...
  • Oficina teatral ministrada por Renato Del Campão
    Inicio dia 14 de agosto, somente aos sábados - apenas 15 vagas! Mais...

ENTREVISTAS

  • Compartilhar
  • Letra menor
  • Letra maior
  • Indicar
  • Imprimir

Bob Bahlis

11/1/2010 - SATED/RS

O que o motivou a levar o texto do Fabrrício Carpinejar para o teatro? E, em algum momento houve dúvida em encenar um assunto, que na verdade, é bastante incômodo?
Procuro sempre valorizar e encenar textos de autores gaúchos. Quando li o livro do Fabrício Carpinejar, vi que naquele livro tinha algo de diferente, algo muito especial. Uma criança que sofre com os repetidos apelidos que recebe na escola. Uma criança que se acha feia e que no final, supera seus medos e angústias.

Foto: Vilmar Carvalho

Pensei: “É isso que quero fazer, um Drama infantil”. Por isso, em nenhum momento tive dúvida de que todos iriam se identificar com a história, pois a infância tem esses tristes momentos. 
Temos uma idéia errada de que criança não sente, não sofre. O Fabrício sofreu muito quando criança, por ser feio. Em algum momento da infância todos sofremos.  Mas ele superou tudo isso e hoje é um adulto muito bem resolvido e criativo.

Durante o processo de montagem, diretor e autor, conversaram da leitura de cada um sobre o tema?
Quando li o livro vi que ali tinha pouco material pra fazer uma peça de uma hora. Foi então que o Fabrício mandou uns textos ainda inéditos, com outras histórias da infância dele, que transformei em cenas para o espetáculo. Conversamos o tempo todo. Fico mais seguro tendo esse contado direto com os autores dos livros. Prefiro que o autor goste da adaptação que fiz e que assista alguns ensaios.

Lá pelas tantas, no meio do processo, o Fabrício ligou e disse que uma equipe de TV de São Paulo, tinha feito uma matéria com ele sobre o livro e a pauta era o Bullying. Foi aí que caiu a ficha. A peça tratava de bullying!

Que avaliação você faz da receptividade do público alvo e, dos pais, à tua peça?
A receptividade é muito boa. As pessoas se emocionam muito. E em outras cenas, dão gargalhadas, com o humor negro que tem na peça.
Elas pensam: coitado do Fabrício!
Ao mesmo tempo se identificam muito com a história. Essa história era perfeita pra ser montada pro teatro. Tem todos os elementos para uma boa peça. Um garoto feio, que sofre, supera e acaba a história namorando a garota mais bonita da escola.

A peça já foi apresentada em algumas escolas de Porto Alegre e cidades vizinhas. Já estivemos em Caxias, Pelotas, entre outras cidades. Fizemos duas temporadas aqui na cidade e em 2010 espero fazer mais duas temporadas. Já estamos com muitas datas agendadas pra 2010. O público se envolve muito com a história. Todos nós adultos já sofremos algo do tipo. Ou porque se é muito alto, gordo, magro, narigudo, atrapalhado. Sofria muito por odiar futebol. Nunca gostei de futebol. No meu caso, sofria também por ser alto, magro e narigudo. Meu nome é Otávio. Alguns colegas me chamavam de Otário. Mas sempre fui muito criativo e conquistava todos com meu bom humor.

Em Quase Dez Amores, também um escritor, mas, um outro universo. Como funcionou?
O “Dez...” vem lotando todas as sessões pelo interior. Em Porto Alegre o público também comparece em massa.
É o primeiro livro da Claudia Tajes e o processo foi o mesmo. Trabalhamos juntos. Adoro o humor da Claudia Tajes. O espetáculo comemorou recentemente um ano de apresentações. E que ano!
A protagonista Rafaela Cassol está indo estudar em São Paulo agora em Janeiro e deve ficar por lá em 2010. Ela volta apenas para fazer a peça em Fevereiro, no Porto Verão Alegre. Acho que a peça está com os dias contados.

Atualmente tenho me dedicado a um novo projeto, que é um Stand up drama. Atores contando tristes histórias, pra emocionar as pessoas. Uma nova peça surge e vai ocupando o espaço da outra, mas se o público pedir, o Dez(quase)Amores ainda terá vida longa! A estréia do Stand Up Drama é dia 15 de Janeiro, na Álvaro Moreyra.
Serão apenas três dias de apresentações. No elenco está a Patsy Cecato, a Margarida Leoni Peixoto, o Clóvis Massa e o Léo Ferlauto.
Dia desses passei os textos do “Stand Up Drama”, com a atriz Margarida Leoni Peixoto.
Quando ela começou... putz... quanta emoção!
Eu fico sem palavras pra descrever o que passou pela minha cabeça, ao ver, ouvir e sentir as palavras que saíam da atriz Margarida Leoni Peixoto ...
Quase uma cena surreal.
Nós na cozinha da minha casa, ela de pé, eu sentado ali, ela emprestando o corpo pra uma personagem que não tem nada haver com a história de vida dela, totalmente poderosa!
Muita emoção, lágrimas verdadeiras correndo pelo seu rosto e eu pensando, não é justo a humanidade não estar presenciando isso?
Cadê as câmeras pra eu postar no youtube?
Sou um afortunado, sei disso!
Não sei muito bem qual será o resultado final desse trabalho, mas o que sei, é o que tenho visto nos ensaios. Algumas histórias ser virão como conselhos, outras como advertências. O que sei é que podemos ser felizes mesmo quando estamos tristes, pois a tristeza é causada pelo que acontece enquanto que a felicidade está dentro de nós, pelo fato de estarmos vivos e usufruindo - do jeito que for possível - a vida.

Quem vai ao teatro em Porto Alegre?
Quem tem boa saúde mental.
Quem está interessado em ver coisas inteligentes.
Deveria ter uma campanha pra reforçar as pessoas a irem mais ao teatro.
O público pode ser muito maior.

Vejo aqui, nesta cidade, uma cultura forte e definida. Entretanto, como àquele que mora na roça, é a "grande" cidade que se vislumbra, leia-se Rio - São Paulo, aonde acredita-se, será alcançado o verdadeiro sucesso, o reconhecimento. Na sua opinião, há um certo complexo de inferioridade?
Hoje muito menos.
O artista gaúcho pode até ter esse sentimento lá no inconsciente. Mas temos que lutar contra este sentimento que nos leva a um comportamento anti-social. O complexo de inferioridade é um estágio avançado de desalento, freqüentemente resultando numa fuga das dificuldades que enfretamos na nossa dura realidade artística.

Chega de Rio e São Paulo. Agora é a vez de Porto Alegre! Precisamos de mais dinheiro na produção cultural! Mais patrocínios.

Que diferenças você apontaria, se é que elas existem, em incursionar pelo interior do estado, e, aqui na capital?
Adoro apresentar as peças pelo interior.
Conhecer novas cidades, fazer novos amigos e ir construindo um público nessas cidades.
A troca e convivência entre a equipe é muito bacana. Vamos construindo uma verdadeira família. Quanto maior, melhor! Por isso que gosto de ter artistas novos e todos trabalhos!

O problema de levar um peça pro interior é a grana, o risco. Se der errado, tu pode ficar com 2 mil negativos no banco!
Pagar o transporte, alimentação, hospedagem... o risco é grande.
Mas em todas as minhas andanças, só tive bons resultados.
Casa cheia em todas as cidades!
Mas neste ano participei do projeto Lâmpada Mágica, com a peça “Pedro Malazarte e a arara gigante”, e nos apresentamos em várias cidades. Fomos contratados e a produção deles é maravilhosa. Daí é outra história, tu vai tranqüilo e nem pensa nas contas e despesas.

Trabalhar para um público que é "regular" no teatro é confortável. Para àquele que é avesso a ele, me parece, o grande desafio. Como você trabalha essa questão?
Com muito sofrimento. Mas conto com a ajuda de algumas empresas que apóiam meus espetáculos.
Conto com o apoio e bom senso das pessoas que trabalham com cultura nessa cidade.
Felizmente em todas as minhas peças o público vem em peso.
Sou muito grato por isso.
Sei que estou trabalhando bastante e que as pessoas estão interessadas no que trago em cada trabalho.
É um quebra cabeça.
E quebra a minha cabeça, mas sou feliz com o meu trabalho. Adoro ser artista!

Porto Alegre, teatro, política, e você, em 2010:
Política é tudo! As relações humanas são importantes pra se ter uma vida melhor. O teatro é a minha vida.
Acabei de escrever uma peça adulta chamada “O dia mais quente do ano” e tenho outros projetos pela frente. Talvez volte a fazer o BOB POP SHOW em 2010. Recebi um convite bem interessante. Também tem um convite pra eu fazer um programa de rádio em 2010. Tem a estréia do Stan up Drama e outra peça infantil surgindo na minha cabeça.

Porto Alegre é a cidade que escolhi para viver, criar a minha filha e ser feliz. Quero que a cidade e os teatros daqui melhorem. Que as políticas culturais sirvam pra melhorar nossa vida e não nos angustiar.

Vou dar um curso de teatro em Janeiro de 2010. Nesses anos que estou dirigindo, o que mais escuto é: quando é que tu vais dar um curso de teatro?E essa pergunta vem de pessoas de diferentes áreas. Então, resolvi fazer um curso de verão, pra atores e não atores, que estejam interessados em melhorar a comunicação, através do teatro. Uma semana, pra quem ficar em Porto Alegre e quiser fazer algo de diferente.
Serão apenas 15 alunos e estes já podem reservar sua vaga mandando um e-mail pra mim bob.pop@uol.com.br, que daí já mando informações, coisa e tal.

O Ator e o Texto
Oficina de Monólogos, Stand Up´s e Contação de Histórias
A oficina acontecerá na sala da Cômica Cultural e as informações e inscrições poderão ser feitas a partir do dia 04 de Janeiro. Feliz 2010 pra todos!

Entrevista realizada por José Antônio Vargas: zapvargas@gmail.com

TOPO
  Informativo SATED/RS

Cadastre seu endereço para receber nossos comunicados.

Endereço cadastrado!

E-mail já cadastrado!

    ENTRE EM CONTATO

Fone/Fax: (51) 3226-1921
Praça Osvaldo Cruz, nº 15/912
CEP: 90030-160 - Porto Alegre/RS
E-mail: satedrs@satedrs.org.br

SATED/RS © 2008-2010